segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Filosofia é um bem.



A Medicina é um bem, mas alguns médicos, diferentes da maioria, usam-na mal, mas isto não tira - da Medicina - o seu caráter de bem.

Certa professora - de fato, o que ela é - utiliza-se da Filosofia para, de forma vã, procurar influenciar as mentes menos preparadas e mais ingênuas.

Como formadora de um  partido político, usa a Filosofia para criar uma militância de antolhos, com uma única visão - no seu ver, da verdade absoluta -, a que todos deverão seguir, sem questionamentos. Assim, todo e qualquer contraditório deve ser encarado como pensamento de uma direita reacionária.
Nada tão comum, tão idêntico ao comportamento da própria direita, que também age da mesma forma.

Tal professora - de fato, o que ela é - , como formadora de um partido político, objetiva dotar seus formandos de recursos e talentos para empolgar, galvanizar e desse modo dirigir as massas. Formar, com seu mister, lideres e militantes políticos que pouco ou nada tem a ver com o que se considera um sistema democrático. Líderes e militantes políticos que só dependam da massa democrática na medida em que seus recursos e talentos devessem estar organizados para um eventual domínio sobre elas. E muito desse domínio constituído por vias fisiológicas.

A Filosofia e os Filósofos criticam em tais professores de filosofia, justamente, essa idéia de educação  que perde o seu magistério sobre a sociedade e se deixa corromper pelas distorções da militância política. Tais professores, inclusive, já contaminados por estas distorções.
Claro, não são todos e nem a maioria, mas tais professores de filosofia, como a professora – de fato, o que ela é – , na contra-mão da Filosofia e dos Filósofos, utilizam-se mal da Filosofia como uma ferramenta de prática de domínio, de conquista das massas, através do verbo e da retórica. 

Isto não é Filosofia !  Estes não são Filósofos !

A Educação e como tal, a Filosofia, não pode e não deve estar subordinada a qualquer forma de organização social, a qualquer tipo de sistematização política.

A Filosofia é um livre-pensar, um aprender a pensar, livremente. É, citando Mário Vieira de Mello: “... quando um homem, saturado das idéias de seu tempo, adquire suficiente liberdade para decidir se deve ou não aceitar essas idéias.”

E ainda, parafraseando o filósofo Jacques Maritain: A Filosofia é como a Medicina; o homem pode usar mal e para o mal Medicina e Filosofia, que em si mesmas são boas, enquanto usando tanto da sabedoria como da virtude, ele não pode usa-las senão para o bem.

sábado, 11 de outubro de 2014

Direita e Esquerda radicais - Gêmeos siameses.


Como gêmeos siameses ligados, um pelo seu lado esquerdo, outro pelo seu lado direito, a direita radical e a esquerda radical, embora procurem passar uma aparência diferente, são absolutamente iguais e, inclusive, comungam pela intercessão, de objetivos comuns, mesmo que o busquem por práticas diversas, um operando pela "via livre" direita; outro, pela "via livre" esquerda.

Se, por exemplo, um desfere sua mão pesada nas minorias, outro faz o mesmo com a classe média que "ousou" emergir à custa de esforço e méritos próprios; mas ambas - direita e esquerda radicais - comungam a mesma intolerância por todos que PENSAM DIFERENTE de suas determinações e, portanto, não sabem conviver e não aceitam conviver com a divergência, com o contraditório.

Ambas - direita e esquerda radicais - não aceitam que a melhor via é aquela que pode ligar a "via livre" direita diretamente à "via livre" esquerda e que MODERA, TOLERA e CONVIVE com posições divergentes, mas que busca a conciliação e a moderação das posições.

Conciliação e moderação porque, claro, é impossível atender a todas as posições de um só lado.

Conciliação e moderação porque é preciso entender que NÃO EXISTEM só 2 lados, mas também todo o "lado", o caminho, entre um e outro. E esse caminho é o da MODERAÇÃO, da TOLERÂNCIA, da CONCILIAÇÃO.

E um dos veículos mais importantes e primordiais para percorrer tal caminho é, sem dúvida, o da ALTERNÂNCIA.

Saudável oxigenação para a cena política, a alternância, possibilita que todas as tendências possam se manifestar, aprimorar e propor seus projetos de governança, da mesma forma que possibilita também a melhoria de uma oposição pluralista e de fiscalização séria e idéias fecundas.

Essa alternância deve ser uma excelente oportunidade de revisão de projetos, sejam de situação, sejam de oposição e tanto mais inteligentes serão aqueles que compreenderem a importância da TOLERÂNCIA, da MODERAÇÃO e da CONCILIAÇÃO para um bom projeto político.

Mudanças são necessárias e essenciais para uma Democracia forte !

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O que é pior: o mal que se sofre, ou o mal que se pratica ?

Esta foi uma das indagações do jovem Agostinho de Hipona, que refletia ainda que temos, sim, liberdade para fazermos tanto o mal, quanto o bem, mas para fazermos o mal precisamos abdicar da justiça.

Se sofremos um mal, não é por abrirmos mão da justiça, mas se praticamos o mal, aí sim, abrimos mão da justiça, de orientar a nossa vontade para o Bem.

Se colocarmos sempre essa indagação agostiniana diante de nossas atitudes, teremos uma rota a nos orientar nas decisões que sempre temos que tomar.

Quanto mais orientarmos a nossa vontade ao Bem, tanto mais serviremos à justiça, tanto mais combateremos o mal.

“A vontade que se serve de tudo mais serve-se de si mesma, tal como a razão que conhecendo o restante conhece-se a si mesma ... quando a vontade adere ao Sumo Bem, então o homem possui a vida feliz.”
O Livre-Arbítrio II,19,51-52.

28 de agosto, dia de Santo Agostinho.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

É fácil “bater” em cristãos e na religião católica !



     É até bem comum, infelizmente, que pessoas ou grupos que, ou não tem qualquer religião, ou a pretexto de “fazer humor”, ou mesmo que tenham uma religião, sabe-se lá por quê, insistem em atacar cristão e a religião católica, como se isto fosse uma coisa normal ou necessária.

     É fato, também, e isto reforça a tese da covardia, que essas mesmas pessoas ou grupos evitam fazer o mesmo com religiões que tenham, em seu meio, grupos mais radicais.

     Nenhuma religião seja ela qual for, deveria ser desrespeitada. O Papa João Paulo II dizia que “por meio de religiões diversas procuram os homens uma resposta aos profundos enigmas para a condição humana” e no Concílio Vaticano II ficou bem claro que  a Igreja nada rejeita do que há de verdadeiro e santo nessas diversas religiões, pois que há a convicção da existência das assim chamadas semina Verbi (sementes do Verbo), presentes em todas as religiões.  Cristãos e a religião católica crêem que Cristo veio ao mundo para todos os povos. “Ele remiu a todos e tem certamente Seus caminhos para chegar a cada um deles”.

     Mas vou explicar porque é mais fácil bater ou ofender cristãos e a religião católica.

     Antes, porém, é preciso deixar bastante claro que, assim como em qualquer família, em qualquer grupo, em qualquer religião, há pessoas que embora fazendo parte daquela família, grupo ou religião, não respeitam a ética do grupo ao qual pertencem e agem,  totalmente, em desacordo com as “regras” de tais grupos, família, religião.   Tais pessoas   devem ser e tem que ser responsabilizadas totalmente – pelo grupo e pela sociedade -  por seus atos, que por não terem coerência com a ética e as “regras” de seus respectivos grupos não se deve considerar “manchados” tais grupos, famílias, religiões. Disse o Cardeal Bergoglio (Papa Francisco): “Deus é paciente, espera, Deus não mata, o homem se arroga faze-lo em sua representação. Matar em nome de Deus é uma blasfêmia. Matar em nome de Deus é ideologizar a experiência religiosa. Quando isto acontece, aparece a politicagem e surge o endeusamento do poder em nome de Deus”.

      Cristãos e a religião católica tem uma regra principal, que norteia todas as demais e ela diz que : “Amarás o teu Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” . Daí  principalmente o nosso ânimo em não termos ações vingativas, nunca !  Daí, também, a facilidade com que somos desrespeitados. Podemos e devemos até recorrer a vias judiciais em casos específicos, mas nada além disto. Não é a nossa crença, a violência.

     Cristãos e a religião católica são tolerantes, amam e, portanto prezam, a liberdade em todos os seus aspectos, seja de manifestação, seja de crença, ou de qualquer tipo.  Mas a  liberdade não é isenta de responsabilidade e nunca deve se sobrepor à dignidade de qualquer pessoa, grupo, família ou religião.

     Cristãos e a religião católica não atacam ou ofendem pessoas ou grupos por suas convicções religiosas ou pessoais diferentes da nossa. Nós respeitamos essa diversificação, afinal, para nós, todas as formas de rezar, todas as orações, todas as ações de bem, levam a Deus. Não pode existir nenhum menosprezo a quem não crê e em contrapartida, não deveria existir também, por quem não crê,  a quem crê.

     Como nos ensina aquela nossa regra principal e da qual tudo deriva, nossa crença é no amor, a Deus e ao próximo, por isto somos tolerantes e amantes do próximo, tenha ele qualquer crença ou convicção. Não escarnecemos outras crenças e respeitamos aqueles que não tem qualquer crença. Procuramos ver nas pessoas o caráter, a personalidade, a integridade, a moral, a ética. Queremos o melhor, para nós e para o próximo. Acreditamos no Bem e na inclinação para o Bem, presente em todas as pessoas, crentes ou não.

     Por isto, provavelmente, somos “alvos” fáceis. Mas então por quê isto acontece ?

     Para nós, cristãos, é fundamental – como já disse Frei Betto - “ a busca de Deus pelo caminho da tolerância. Inclusive a tolerância para com aqueles que não buscam Deus, ou negam a existência de Deus, desde que não queiram impor o seu ateísmo aos demais, E é fundamental justamente na pergunta que devemos nos fazer:  Por que o diferente de nós tem que nos ameaçar de alguma forma?  A intolerância é reflexo de você não aceitar o outro como ele é.

     Quem “bate”, ofende, ou “diz que faz humor” aproveitando-se da boa-fé, da tolerância e do espírito libertário de cristãos e da religião católica , é intolerante e em muitos casos o faz de má-fé, mas também porque desconhece o que é a religião católica e por isto, tem medo! 

     Sim, tem medo, e sentem-se ameaçados pelos cristãos e pela religião católica e, por tal, usam o ataque como “arma”  de defesa contra os cristãos e a religião católica.

     Claro, é um erro e vou mostrar, de forma bem simples,  porque não é preciso ter medo de cristãos e da religião católica e nem se sentirem ameaçados.

     Primeiro, claro, pela clareza de nossa “regra de ouro”, ponto máximo e origem de todos os nossos saberes e ensinamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

     Segundo, pela ética cristã expressa no que chamamos de Sermão da Montanha, proferido por Nosso Senhor Jesus Cristo e que nos diz que:

”-
Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
  -Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
  -Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
  -Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
  -Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
  -Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
  -Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
  -Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o           
     Reino dos céus!
  -Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e
     disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. “


     Eis, então, de forma bem simples e reduzida, para fácil compreensão, toda a nossa lei, toda a nossa ética e de onde derivam todos os nossos ensinamentos e, como se pode aprender, não há motivos para sermos temidos. Há temor no desconhecido, então que se lance luz sobre o conhecimento.

     Também por esse conhecimento fica bem simples de reconhecer quem se diz cristão, quem diz representar a religião católica, mas não o faz verdadeiramente, estes, não nos representam.

     Portanto, fiquem tranqüilos e confiantes para nos respeitarem, para entenderem a nossa tolerância e a nossa perseverança na defesa da liberdade e do respeito a todos. Não tenham medo!

     Não é preciso fazer humor à custa do escárnio à crença alheia!
     Não é preciso engrandecer a sua religião à custa da ofensa aos cristãos e à religião católica!
     Não é preciso justificar a sua não-crença por ataques àqueles que crêem!

     O exemplo é uma excelente forma de ensinamento. Quem quer ser respeitado, respeita.

     Paz e Bem.






sexta-feira, 22 de março de 2013

Toda história tem, no mínimo, 2 lados. E ambos precisam ser contados!

Ser ético é ter compromisso com a verdade. Sempre !

Algumas coisas são publicadas com DESTAQUE, talvez porque "vendam" mais, outras são publicadas bem disfarçadas, pois podem "atrapalhar" as vendas.


Foi dado um grande destaque na publicação do jornalista argentino Horacio Verbistisky de que, segundo ele, o Cardeal Bergoglio (Papa Francisco) foi o denunciante dos padres Orlando Yorio e Franz Jalics, presos e torturados pela ditadura argentina.

Po
uco destaque foi dado :

1) Ao interrogatório do então Cardeal - como testemunha - , à época de julgamentos da ditadura, onde ficou claro que o Cardeal ajudou, sim, na libertação de ambos os padres.

(http://oglobo.globo.com/mundo/em-depoimento-bergoglio-diz-que-intercedeu-por-jesuitas-durante-ditadura-7887380)

2) O Cardeal Bergoglio (Papa Francisco) é um crítico dos governos Kirchner pela posição do governo francamente contrária aos mais desfavorecidos e , com isto, parece, despertou a fúria das autoridades governamentais argentinas, das quais o tal jornalista Horacio Verbistisky é aliado de primeira linha e editor de um jornal pró-governo argentino. 

(http://oglobo.globo.com/mundo/dossie-secreto-argentino-tentou-impedir-eleicao-do-novo-papa-7874183)

3) O Nobel da Paz, Perez Esquivel, ex-preso político e militante ativo contra a ditadura argentina, já declarou diversas vezes que o Papa Francisco não só NÃO COMPACTUOU COM A DITADURA, como, mais do que isto, AJUDOU DIVERSOS PERSEGUIDOS pela ditadura argentina. 

(http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2013/03/papa-nao-foi-cumplice-da-ditadura-diz-perez-esquivel-4081678.html)

4)O padre Yorio, infelizmente já faleceu, mas o padre Franz Jalics, uma vez saído do retiro espiritual onde se encontrava, declarou com bastante clareza que o Papa Francisco NUNCA TEVE QUALQUER ENVOLVIMENTO COM A PRISÃO DELES PELA DITADURA ARGENTINA.

(O Globo, de 21/03/2013, pág. 33 e http://www.portugues.rfi.fr/europa/20130321-jesuita-sequestrado-pela-ditadura-argentina-diz-que-nao-foi-denunciado-pelo-papa)

Toda notícia deve ter destaque, mas os desdobramentos, principalmente quando tão importantes, merecem igual destaque.


Atacar a honra e a dignidade de pessoas sérias é relativamente simples, basta uma falsa denúncia, mas demonstrar a falsidade de tais ataques deveria merecer, também, o destaque fundamental ao restabelecimento da verdade.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O que eu quero ?


São muitas coisas, mas para não encher muito o saco de voces eu vou citar apenas algumas. Vamos lá:

Eu queria nascer, na minha família.

Eu queria ser filho, da minha mãe e do meu pai.

Eu queria ser irmão, dos meus irmãos.

Aí quando eu crescesse...

Eu queria ser pai.

Eu queria brincar, abraçar e carinhar muito a minha filha.

Eu queria, tal qual foi feito comigo, criar a minha filha para que ela fosse feliz.

Eu queria crer em Deus e,

mesmo dentro de meus erros, tentar acertar.

Eu queria ter os meus amigos.

Eu queria ser amigo de meus amigos e, dentre diversas outras coisas,

Eu queria fazer pelo menos 1 pessoa feliz.

Mas ...

...

uai, como diriam os mineiros,

tudo isso eu acho que já aconteceu e acontece.

Então, o que mais posso querer ?

Já sei.

Então:

Que eu ame e seja amado.

Que Deus esteja comigo, me abençoando e me orientando.

Que Deus esteja com a minha familia e com os meus amigos.

E que seja feita a vontade D'Ele.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Representação política como forma de proteção de povos indígenas.


"Lideranças indígenas apresentam reivindicações ao governo.
- Lideranças indígenas de várias etnias reuniram-se ... com cinco ministros para apresentarem reivindicações que vão dos problemas causados pelas grandes obras do governo ... à demarcação de terras e a um pedido explícito pela substituição do presidente da Funai ... Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral da Presidência, comprometeu-se com as lideranças a agendar um encontro deles com a presidente Dilma Rousseff..." 1

O recebimento de comitivas indígenas, politicamente sem respaldo, por autoridades governamentais tem alguma eficácia além de um efeito protocolar, em que pese uma ou outra promessa ou pequena concessão ?

Como tornar eficaz a proteção de direitos de povos indígenas, sem exceder seus valores e culturas e nem excluí-los da vida do Estado?


Implicações de um direito indígena menos protetivo a certas liberdades individuais

Na comunidade indígena de Kuna Yala - Equador -, a professora De Leon teve a sua intimidade violada na casa da indígena Nuria Munoz, sem o consentimento de ambas. Na busca de reparação sobre tal ato, a indígena Nuria acabou por ser condenada, pela liderança local - indígena -, a castigo físico.

A Constituição Brasileira de 1988 assegurou aos índios o direito à diferença, a saber: direito de terem cultura diferente, relações diferentes e direitos diferentes, por outro lado, tal direito à diferença quando colocado em confronto, dentro das próprias comunidades indígenas, com direitos individuais consagrados universalmente, podem gerar antagonismos.

É lícito que o Estado, onde se inserem tais comunidades indígenas, devotado à proteção do direito à diferença fira tal direito com o objetivo de proteger direitos individuais ?

Abrir mão de proteger algumas liberdades individuais sob a alegação de não-interferência na cultura indígena deve ser, e tem que ser, uma situação de avaliação específica, caso-a-caso, sopesando-se todas as implicações possíveis e buscando preservar-se a temática dos direitos humanos universalmente reconhecidos.

Conflito entre o direito dos povos à autodeterminação e o direito à integridade física e moral

Diz a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas:

"Os povos indígenas tem direito à autodeterminação, de acordo com a lei internacional. Em virtude deste direito, eles determinam livremente sua relação com os Estados nos quais vivem, num espírito de coexistência com outros cidadãos ... em condições de liberdade e dignidade." 2

"Os povos indígenas tem o direito ao pleno e efetivo desfrute de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais reconhecidos na Carta das Nações Unidas e outros instrumentos internacionais de direitos humanos." 3

"Os povos indígenas tem o direito coletivo de existir ... assim como os direitos individuais à vida, integridade física e mental, liberdade e segurança da pessoa." 4

Por outra, no Estado Brasileiro, dispõe a Constituição de 1988 que:

"São funções institucionais do Ministério Público ... defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas." 5

"Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo." 6

E, ainda, diz a Convenção OIT-169, quanto aos povos indígenas e tribais, que:

"... deve-se assegurar especialmente o gozo, em pé de igualdade, dos direitos e oportunidades que a legislação nacional outorga aos demais membros da população..." , bem como que "Estes povos deverão gozar plenamente e sem discriminação dos direitos humanos e liberdades fundamentais..." .

Logo, da análise de tais destaques é possível verificar que não se pode concluir por existência de "conflitos" entre o direito dos povos indígenas a autodeterminação e o direito à integridade física e moral de seus membros, vez que este direito é, de pronto, integrante dos direitos humanos e universais e, portanto, devem ser considerados naquela autodeterminação.

Posicionamento como membro de uma Organização Não Governamental quanto ao julgamento sumário da professora De León

Do acima exposto fica claro que, como eventual membro de uma Organização Não Governamental, eu me posicionaria contrário ao julgamento sumário do caso estudado e, entendendo que cada caso deve ser avaliado e analisado de forma independente e que o direito à preservação da identidade étnico-cultural indígena deve ser resguardado, mas defendendo e afirmando que, antes de tudo, se sobrepõe porquanto é parte integrante e preliminar, o direito à vida, à integridade física e mental da pessoa, como condição principal ao respeito pelos direitos humanos universais.

Conclusão

Cândido Rondon afirmava que o objetivo não podia ser exterminar ou transformar o indígena, mas fazer dele um índio melhor, dando-lhe acesso a ferramentas e a orientação adequada e que cumpria fixar as normas de um direito compensatório, pelo qual os índios tenham os mesmos direitos que os brasileiros, mas que esses direitos não lhes podiam ser cobrados como deveres. 7

Quem mais, além dos próprios povos indígenas, pode saber, entender e lutar pelos direitos das nações indígenas ?

Já está mais do que na hora e é consoante com os diversos mecanismos legais e políticos existentes e que tem sido criados, que os povos indígenas precisam ter voz ativa, ter representatividade política, para a sempre necessária busca de reconhecimento de seus direitos.

Para tanto, é imperioso que, a cada legislatura, se eleja também, somente a partir dos votos indígenas livres e facultativos, representantes indígenas - não indigenistas, mas indígenas natos - para a câmara federal, de forma que todas as nações indígenas possam compor um bloco representativo para propor, fiscalizar e debater sobre seus direitos, os direitos indígenas.


Referências bibliográficas
1 - O Globo, 05/05/2011, a partir de http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/05/liderancas-indigenas-apresentam-reivindicacoes-ao-governo-924391070.asp ;
2 - Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas. § 1 - Parte 1;
3 - idem, § 2 - Parte 1;
4 - ibidem, § 4 - Parte 2;
5 - Constituição Federal de 1988, Capítulo IV, Seção I, artigo 129 - V;
6 - Constituição Federal de 1988, Capítulo VII, artigo 232;
7 - Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro. 2ª Edição, págs. 147/8;